Agenda Semanal | - 3:22 pm
Entenda como a “névoa mental” pode estar afetando a sua rotina e a qualidade de vida
Esquecimentos frequentes, dificuldade de concentração e sensação de confusão mental podem ser sinais da chamada “névoa mental”. Você já entrou em um cômodo e esqueceu o que iria fazer? Precisou reler um texto várias vezes para compreendê- lo ou teve dificuldade para encontrar palavras durante uma conversa? Quando esses episódios se tornam frequentes e começam a interferir na rotina, podem estar relacionados ao chamado brain fog, ou “névoa mental”, em português.
MUITO ALÉM DOS ESQUECIMENTOS
Apesar de o termo ter se popularizado nos últimos anos, especialmente após a pandemia de COVID-19, ele não representa um diagnóstico médico. Na prática, é uma expressão usada para descrever um conjunto de sintomas que afetam funções cognitivas, como memória, atenção, raciocínio e concentração. Embora o brain fog tenha ganhado maior visibilidade após a pandemia, especialistas afirmam que ele não é um fenômeno recente. O aumento do estresse, da privação de sono, do uso excessivo de dispositivos eletrônicos e dos transtornos relacionados à saúde mental, fez com que mais pessoas passassem a perceber e relatar dificuldades cognitivas no dia a dia. Embora o brain fog possa causar esquecimentos e dificuldade de concentração, ele não é a mesma coisa que doenças neurodegenerativas, como a demência. Enquanto a névoa mental costuma ser temporária e, muitas vezes, melhora após o tratamento da causa, a demência é uma condição progressiva que compromete a memória, o raciocínio e a capacidade de realizar atividades do dia a dia. Segundo neurologistas, é um sinal de que algo pode estar comprometendo o funcionamento normal do cérebro. A condição costuma estar associada a fatores como privação de sono, estresse crônico, ansiedade, depressão, alterações hormonais, deficiências nutricionais e efeitos de alguns medicamentos. Entre os sintomas mais comuns estão dificuldade para manter a atenção, esquecimentos frequentes, lentidão para raciocinar, sensação de confusão mental, dificuldade para encontrar palavras durante uma conversa e fadiga mental, mesmo após períodos de descanso. Embora esses sintomas possam ser passageiros, quando persistem ou interferem nas atividades diárias, é importante buscar avaliação médica.
O CÉREBRO ESTÁ TENTANDO DAR UM ALERTA
De acordo com a Cleveland Clinic, o termo brain fog é utilizado para descrever um conjunto de alterações cognitivas que dificultam tarefas simples do dia a dia, como acompanhar uma conversa, lembrar compromissos ou concluir atividades que antes eram realizadas com facilidade. A instituição destaca que identificar a causa é o primeiro passo para um tratamento eficaz. A neurologista Emma Devenney, da Neuroscience Research Australia, afirma que a névoa mental deve ser encarada como um alerta para a saúde cerebral. Segundo a especialista, na maioria dos casos ela está relacionada a fatores como sono inadequado, estresse, alimentação desequilibrada ou mudanças hormonais, reforçando a importância de uma investigação médica para identificar sua origem. A relação entre o brain fog e a COVID-19 também tem sido investigada por pesquisadores. Uma revisão sistemática publicada em 2024, que analisou 17 estudos com mais de 41 mil pacientes com COVID longa, constatou que cerca de 20,4% apresentavam brain fog e outros sintomas relacionados à saúde mental entre três e 24 meses após a infecção.
O PRIMEIRO PASSO
Especialistas explicam que o diagnóstico é clínico e depende de uma investigação detalhada. O médico poderá avaliar o histórico do paciente, os hábitos de vida, os medicamentos em uso e, quando necessário, solicitar exames
para identificar condições como anemia,
alterações da tireoide, deficiência de
vitamina B12, vitamina D, ferro ou
distúrbios metabólicos que podem
comprometer o desempenho cognitivo.
Outro ponto importante é que o brain
fog pode estar relacionado a condições
de saúde tratáveis. Distúrbios do sono,
como a apneia, alterações hormonais,
problemas metabólicos e deficiências
nutricionais podem afetar diretamente
o desempenho cerebral. Por isso, o
acompanhamento médico é essencial
para identificar a origem dos sintomas e
indicar o tratamento mais adequado.
A BOA NOTÍCIA
Como o brain fog é um conjunto de sintomas, não existe um tratamento único. A melhora depende da causa identificada. Em muitos casos, medidas como dormir adequadamente, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o estresse e reduzir o excesso de tempo em frente às telas podem contribuir para recuperar a clareza mental. Quando os sintomas estão relacionados a alguma condição clínica, o tratamento desta causa costuma trazer melhora significativa. Embora esquecimentos ocasionais façam parte da rotina, essas dificuldades não devem ser ignoradas quando passam a ocorrer com frequência e começam a comprometer o trabalho, os estudos ou a vida pessoal. Nesses casos, especialistas recomendam procurar avaliação médica para identificar a causa e iniciar o tratamento mais adequado.
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