Agenda Semanal | - 7:25 pm
No início da minha vida, como toda criança, tive uma infância aparentemente normal. Porém, tudo mudou quando sofri um abuso por parte de um vizinho. Aquele momento roubou minha inocência e deixou marcas profundas em mim. Alguns anos depois, minha família descobriu o que havia acontecido, mas as consequências daquela violência já faziam parte da minha vida. Quando eu tinha 13 anos, minha família e eu chegamos à Igreja Universal. Deus começou a abençoar nossas vidas, e eu acreditava que já havia perdoado o meu abusador. A vida seguiu, e, aos 17 anos, fui levantada a obreira. Pouco tempo depois, consegui um emprego em que trabalhava de domingo a domingo. Aos poucos, deixei de frequentar a igreja e de ouvir a Palavra de Deus. Longe da presença de Deus, conheci más companhias, que me apresentaram às baladas e a tudo o que o mundo tinha para oferecer. Com isso, perdi o desejo de permanecer na Obra de Deus, deixei de ser obreira e, consequentemente, me afastei da igreja. Foi então que comecei a beber, a frequentar baladas e me envolver com a prostituição. Nesse período, o trauma do abuso, que nunca havia sido realmente tratado, voltou com toda a força. Passei a conviver com sentimentos de nojo, raiva, ódio e desprezo por mim mesma. Eu me sentia suja, sem valor, e era dominada por uma infinidade de pensamentos e sentimentos negativos. Com o tempo, surgiram pensamentos de suicídio, o desejo de matar o meu abusador e uma batalha constante contra pensamentos destrutivos que eu não conseguia controlar. Foi nesse cenário que conheci o meu esposo. Decidimos nos casar, porque eu acreditava que o casamento preencheria o vazio que existia dentro de mim e me faria feliz. No entanto, aconteceu justamente o contrário. Os problemas que eu carregava por dentro, somados às dificuldades do casamento, me levaram a uma profunda depressão. Em meio a todo esse sofrimento, um dia, enquanto estava na rua, recebi um convite para ir à igreja. Mesmo já não acreditando mais em Deus, resolvi aceitar e dar uma nova oportunidade a mim mesma. Desde o primeiro dia, comecei a perceber mudanças dentro de mim. Perseverei, lutei contra todos aqueles pensamentos e sentimentos ruins e permaneci firme na minha caminhada com Deus. Entreguei completamente a minha vida nas mãos d’Ele e tive o meu encontro com Deus, recebendo o Espírito Santo. A partir desse momento, minha vida foi completamente transformada. Hoje não carrego mais raiva, ódio nem os pensamentos que antes me atormentavam. Pelo contrário, encontrei a verdadeira paz e a alegria que sempre procurei. Hoje tenho o privilégio de ajudar pessoas que vivem o mesmo sofrimento que um dia eu vivi, mostrando que, quando entregamos nossa vida a Deus, nenhuma dor é maior do que o poder da Sua transformação.
Carla Reis | Newark, NJ
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