Agenda Semanal | - 5:39 pm
Um mês para romper o silêncio, reconhecer sinais de sofrimento e lembrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza
Uma pessoa pode sorrir, trabalhar, estudar, conversar com os amigos e, ainda assim, estar enfrentando uma profunda dor emocional.
Nem sempre quem sofre consegue dizer o que está acontecendo. Algumas pessoas não encontram palavras para explicar o que sentem; outras têm medo de serem julgadas ou de ouvir que aquilo que estão vivendo é apenas “frescura”.
É justamente para trazer esse assunto à luz que o mês de setembro ganhou uma importante missão: conscientizar sobre a prevenção do suicídio e a valorização da vida.
Conhecido como Setembro Amarelo, o período busca quebrar o silêncio, reduzir o preconceito e incentivar conversas que podem aproximar uma pessoa da ajuda de que necessita.
Mais do que falar sobre a morte, a campanha é um convite para falar sobre a vida.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo.
O problema também atinge de maneira significativa os jovens. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio está entre as principais causas de morte.
Nos Estados Unidos, o cenário também chama atenção. De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), 48.824 pessoas morreram por suicídio em 2024.
Entre estudantes do ensino médio, os dados são igualmente preocupantes.
A pesquisa Youth Risk Behavior Survey, do CDC, mostrou que, em 2023, 39,7% dos estudantes relataram sentimentos persistentes de tristeza ou desesperança. Além disso, 20,4% disseram ter considerado seriamente uma tentativa de suicídio, enquanto 9,5% relataram ter tentado suicídio.
Por trás de cada estatística existe uma pessoa, uma família e uma história.
É por isso que esses números não devem apenas assustar. Eles precisam nos levar a uma pergunta: O que podemos fazer para perceber, acolher e ajudar?
Depressão, ansiedade, baixa autoestima, insegurança, solidão, bullying, traumas e conflitos familiares ou pessoais podem fazer parte da realidade de pessoas de diferentes idades e histórias. É importante compreender também que o suicídio geralmente não está relacionado a uma única causa. Diversos fatores podem contribuir para o sofrimento emocional, enquanto fatores como vínculos familiares, amizades, conexão com a comunidade e acesso a apoio podem atuar como proteção. Por isso, prevenção não significa apenas agir quando uma situação chega ao limite. Prevenir também é estar presente antes. É perguntar como alguém está. É perceber mudanças. É ouvir sem interromper. É não minimizar aquilo que o outro sente.
Um dos maiores obstáculos para quem enfrenta sofrimento emocional pode ser justamente o medo de falar. “Isso é frescura.” “Você tem tudo, não deveria estar assim.” “É só pensar positivo.” Comentários desse tipo podem fazer com que a pessoa se feche ainda mais.
Acolher não significa concordar com tudo ou ter uma solução pronta. Significa reconhecer que existe uma dor e que aquela pessoa merece ser ouvida e encaminhada para a ajuda adequada. Uma conversa não substitui o acompanhamento profissional, mas pode ser o começo para que alguém aceite buscar ajuda.
Existem iniciativas que trabalham durante todo o ano para apoiar pessoas que enfrentam sofrimento emocional. Entre elas está o projeto social Depressão Tem Cura, que oferece atendimento gratuito e acompanhamento personalizado para pessoas que enfrentam dificuldades emocionais.
O projeto também conta com voluntários que já passaram por situações semelhantes e hoje utilizam suas próprias experiências para ajudar outras pessoas. A mensagem é de que uma fase de sofrimento não precisa determinar o futuro de ninguém. Como destaca o material do projeto: “Nós não desistimos das pessoas, nem paramos de lutar por elas. Acreditamos na cura e mostramos que isso é possível.”
A escola também pode ser um importante espaço de
O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é celebrado em 10 de setembro. A data foi estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela International Association for Suicide Prevention (IASP) como um momento de mobilização e conscientização em todo o mundo.
Entre 2024 e 2026, a campanha mundial trabalha com o tema “Mudar a narrativa sobre o suicídio”, acompanhado do chamado “Comece a conversa”.
A proposta é justamente mudar a maneira como a sociedade encara o assunto: sair do silêncio, do medo e do julgamento e abrir espaço para informação, empatia, escuta e prevenção.
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